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Delegado diz que filho é culpado por morte de cineasta Eduardo Coutinho


Do UOL, em São Paulo

Relembre a trajetória do cineasta Eduardo Coutinho, morto aos 80 anos9 fotos

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06.jul.2013 - O cineasta Eduardo Coutinho participa da mesa "Encontro com Eduardo Coutinho", na qual foi exibido um trecho do seu filme "Cabra Marcado para Morrer", na Flip 2013, em Paraty Leia mais Paulo Iannone/Frame
O diretor da Divisão de Homicídio do Estado do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, disse que foi Daniel, filho do cineasta Eduardo Coutinho, quem matou o pai a facadas, na manhã deste domingo (2) no Rio. "Não há dúvidas de que Daniel é o culpado", disse o delegado em entrevista coletiva. "É a expressão genuína da palavra tragédia."
Daniel, de 41 anos, morava com os pais e foi preso em flagrante delito pela morte de Eduardo Coutinho, 80, e pela tentativa de matar a mãe, Maria Oliveira Coutinho, que está internada em estado grave. Ele será indiciado por homicídio doloso, mas por possuir quadro de esquizofrenia, um juiz decidirá quais medidas serão tomadas judicialmente.
Segundo o delegado, o crime aconteceu por volta das 11h deste domingo. O corpo de Coutinho foi encontrado na porta de um dos quartos do apartamento. A esposa do cineasta, que também foi ferida, teria tentado se esconder no banheiro e ligar para outro filho para pedir ajuda. Após cometer os crimes, Daniel também tentou se matar, conclui o delegado.
O diretor da Divisão de Homicídio disse que Daniel usou duas facas de cozinha nos ataques e, logo após agredir os pais, bateu na porta de um de seus vizinhos e disse: "Eu libertei meu pai, tentei libertar a minha mãe e tentei me libertar". Os bombeiros foram chamados pelo porteiro do prédio e Daniel não demonstrou resistência com a chegada deles, abrindo a porta do apartamento, ainda segundo os policiais.
O filho de Coutinho, que está sob custódia da polícia, passou por uma cirurgia e ainda prestará depoimento. Maria Oliveira Coutinho segue internada em estado grave e, em caso de melhora, deve também falar com os policiais. Ela levou cinco facadas ao todo: duas nos seios e três no abdômen, e uma delas perfurou o fígado. A quantidade de perfurações no corpo de Coutinho ainda deve ser revelada pela perícia.
Foram ouvidas quatro testemunhas até o momento e outros moradores do prédio deverão prestar depoimento ainda nesta semana.
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Cinco documentários de Eduardo Coutinho5 fotos

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"CABRA MARCADO PARA MORRER"
O filme mais famoso de Eduardo Coutinho, sobre a vida e o assassinato de um líder camponês, começou a ser rodado em 1964, mas foi interrompido pelo Golpe Militar. O diretor só conseguiu retomar o projeto dezessete anos depois, procurando e mostrando o que aconteceu com cada um dos personagens que havia entrevistado, inclusive a viúva do camponês. O resultado foi uma das maiores obras-primas do cinema brasileiro e um dos documentários mais importantes da história.
Por Chico Fireman Reprodução
Trajetória
Nascido em 11 de maio de 1933, em São Paulo, Eduardo Coutinho abandonou o curso de direito por uma carreira no entretenimento. Depois de estudar direção e montagem na França e voltar ao Brasil em 1960, Coutinho entrou em contato com o Cinema Novo e o Centro Popular de Cultura (CPC), da UNE.
No CPC, o cineasta começou a trabalhar no que seria considerado seu projeto mais importante: uma ficção baseada no assassinato do líder das Ligas Camponesas, João Pedro Teixeira, com elenco formado pelos próprios camponeses do Engenho Cananeia, no interior de Pernambuco. A produção de "Cabra Marcado para Morrer" teve que ser interrompida depois de duas semanas de filmagens, quando ocorreu o Golpe Militar de 1964 e parte da equipe foi presa sob acusações de comunismo.
O filme só seria completado em 1984, depois de Coutinho reencontrar negativos que haviam sido escondidos por um membro da equipe, e resolveu retomar o projeto como um documentário sobre o filme que não foi realizado e sobre os personagens reais que seriam os atores do primeiro projeto.
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Mortes no cinema em 201411 fotos

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2.fev.2014 - Philip Seymour Hoffman, ator americano, aos 46 anos Divulgação / Paris Filmes
Entre 1966 e 1975, atuou principalmente como roteirista de produções como "A Falecida" (1965), "Garota de Ipanema" (1967) e "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976). Em 1975, Coutinho passou a integrar a equipe do "Globo Repórter", onde permaneceu até 1984.
Depois de "Cabra", Coutinho se firmou como o principal documentarista do país, com filmes que privilegiavam pessoas comuns e as histórias que elas têm para contar, como "Santo Forte" (1999), "Edifício Master" (2002), "Peões" (2004) e "Jogo de Cena" (2007). Seu último longa foi "As Canções", de 2011.
Em 2013, ao completar 80 anos, Coutinho ganhou homenagem na Festa Literária Internacional de Parati e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que organizou uma retrospectiva completa de seus filmes e um livro reunindo textos de e sobre o cineasta.
Na ocasião, Coutinho afirmou ao UOL que o público foge de documentários. "Isso é trágico. Tem uma diferença entre ficção e documentário, e é apenas para a Ancine [Agência Nacional do Cinema]. Documentário é uma palavra maldita. Se o público cheirar documentário, ele foge. Só não foge quem não pode", afirmou.

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