Após sua saída do Flamengo em 2010, técnico não dirigiu mais equipes da Série A do Brasileirão e quer afastar fama de treinador 'milagreiro'
Andrade foi eleito o melhor técnico do Brasileirão de 2009
Ídolo do Flamengo entre as décadas de 1970 e 1980, Andrade era auxiliar técnico de Cuca no clube em 2009 e no mesmo ano foi promovido ao cargo de treinador. Pois o ex-jogador comandou a arrancada do Flamengo nas últimas 25 partidas do Brasileirão, rumo ao hexacampeonato naquela temporada.
Porém, a alegria pelo título deu lugar à tristeza em 2010, quando foi demitido com mais de 70% de aproveitamento. Na ocasião, Andrade se disse chateado com a antiga diretoria, liderada por Patrícia Amorim. No entanto, mais de três anos depois, o ex-volante afirmou que não guarda mais mágoas de sua saída do Flamengo. O que ainda o chateia é a falta de oportunidades em clubes brasileiros.
“Depois de tudo o que eu fiz, quebrei uma série de tabus. Primeiro campeonato de pontos corridos do Flamengo, que estava há 17 anos sem o título brasileiro. Também ganhei cinco dos seis Brasileiros da história do clube, o que é para poucos. Naquele momento (2010), não valorizaram a minha história e meu trabalho no clube. Claro que fiquei chateado, mas isso faz parte do passado, não vou guardar, porque faz mal. Não guardo mágoa de ninguém. Nunca tive uma conversa com ela nesse sentido. Sou bem resolvido”, disse o ídolo da torcida rubro-negra ao iG..
Curiosamente, Andrade não teve mais chances de dirigir um clube de Série A, diferentemente de outros treinadores campeões nacionais. Na era dos pontos corridos, Vanderlei Luxemburgo foi bicampeão, por Cruzeiro (2003) e Santos (2004). No ano seguinte foi a vez de Antônio Lopes levar o caneco no Corinthians. De 2006 a 2008, Muricy Ramalho foi tricampeão pelo São Paulo e dirigiu o Fluminense em 2010. Tite conquistou seu primeiro brasileiro da carreira pelo Corinthians em 2011 e segue como treinador do time paulista, apesar de ter sua saída confirmada para o fim da temporada. No ano passado, Abel Braga era o treinador do Fluminense e não treinou mais nenhum time desde a sua saída do clube carioca.
Andrade, diferente dos outros campeões, jamais dirigiu outro grande clube brasileiro além do Fla campeão. O título, ao que parece, não basta para valorizar o currículo do ex-flamenguista. Em setembro de 2010, ele assumiu o Brasiliense, mas não conseguiu evitar a queda do time de Brasília para a Série C. Já em outubro de 2011, pegou o Paysandu com a missão de subir os paraenses para a Série A, porém não cumpriu seu objetivo. No ano passado, teve passagem sem sucesso pelo Boa Vista e deixou a equipe após o Campeonato Carioca.
Assim como quando assumiu o Flamengo, Andrade não conseguiu mais fugir da fama de treinador milagreiro, que chega no fim de uma competição e tem pouco tempo para trabalhar. “Nos times que trabalhei não tive como pegar o trabalho do início, fazer a pré-temporada. Não tive essa chance. No Flamengo eu já estava ali dentro antes, aí ficava mais fácil, podia opinar e discutir. Estou confiante nessa virada do ano para que possa surgir uma proposta boa para trabalhar. Mas não para apagar incêndio ou fazer milagre”, lamentou Andrade, em busca de novos e mais longos desafios.
