Hanrrikson de Andrade
Especial para o UOL Notícias
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autorizou nesta terça-feira (12) a quebra de sigilo eletrônico de Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre no colégio Tasso da Silveira, em Realengo, na semana passada. A decisão da juíza Alessandra de Araújo Bilac, da 42ª Vara Criminal, obrigará o Google do Brasil -empresa que administra várias redes sociais e outras plataformas de comunicação- a passar dados sobre o criminoso à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).
A decisão judicial tem o objetivo de rastrear possíveis trocas de e-mails do atirador utilizando conta no serviço gratuito disponibilizado pela empresa como também possíveis contatos em redes sociais, como o Orkut, que pertence ao Google.
A expectativa dos investigadores é esclarecer a participação direta ou indireta de outras pessoas no ato criminoso. A DRCI leverá em conta que há indícios de que o atirador participava de algum grupo religioso, a partir das citações feitas por ele nos manuscritos encontrados pela polícia em Sepetiba, local no qual Oliveira residiu nos últimos oito meses.
Em alguns trechos, o criminoso menciona os nomes "Abdul" e "Phillip" e diz que "meditava sobre o 11 de setembro" (em referência ao dia do atentado terrorista contra as Torres Gêmeas, em Nova York, em 2001).
Além disso, Oliveira queimou o próprio computador e deixou uma mensagem que torna clara a sua intenção de proteger supostos "fornecedores". Os técnicos da DRCI trabalham na tentativa de recuperar os dados do disco rígido (HD) da máquina.
Ver em tamanho maior7 de abril de 2011: Massacre em RealengoFoto 56 de 59 - 11.abr.2011- Pessoas fazem oração em frente à escola de Realengo para homenagear as crianças mortas na tragédia Mais Helio Motta/UOLSegundo a juíza, diante da gravidade dos fatos e do rumo das investigações, "há a necessidade de vasculhar os vestígios virtuais junto à empresa Google do Brasil, para conseguir mais informações sobre Wellington, e quaisquer outras pessoas que tenham participado do fato e os motivos que o levaram a cometê-lo".
Ao deferir o pedido, a magistrada determinou que a remessa das respostas deve ser encaminhada diretamente à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática no prazo de duas horas, a partir do momento em que o Google receber a intimação.
Entenda o caso
Na quinta-feira (7), por volta de 8h30, Oliveira entrou na escola Tasso da Silveira dizendo que iria apresentar uma palestra. Já na sala de aula, o jovem sacou a arma e começou a atirar nos estudantes.
O atirador deixou uma carta com teor religioso, onde orientava como queria ser enterrado e deixava sua casa para associação de proteção de animais.
O ataque, sem precedentes na história do Brasil, foi interrompido após um sargento da polícia, avisado por um estudante que conseguiu fugir da escola, balear Oliveira no abdômen. De acordo com a polícia, o atirador se suicidou com um tiro na cabeça após ser atingido. Oliveira portava duas armas e um cinturão com muita munição.Doze estudantes morreram --dez meninas e dois meninos--, e outros 12 ficaram feridos no ataque.
Na sexta (8), 11 vítimas foram sepultadas nos cemitérios da Saudade, Murundu e Santa Cruz. Já no sábado pela manhã, o corpo de Ana Carolina Pacheco da Silva, 13, o último a deixar o IML (Instituto Médico Legal), foi cremado no crematório do Carmo, no centro do Rio
TJ-RJ autoriza, e Google será obrigado a passar dados sobre atirador de Realengo
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abril 12, 2011
